
84% dos alunos e 79% dos professores já utilizaram ferramentas de IA, diz estudo
Quase a totalidade dos gestores concorda que o currículo escolar precisa ser atualizado para que os alunos desenvolvam habilidades críticas para o uso de IA.
O Observatório Fundação Itaú lança, em parceria com o Equidade.Info, a pesquisa inédita Percepções sobre a Inteligência Artificial na Educação. O estudo identificou as percepções sobre o uso, a frequência e os impactos da IA no ambiente escolar, a partir da visão dos estudantes, professores e gestores.
A pesquisa apurou que a maioria dos alunos faz uso da IA, tanto para tirar dúvidas quanto para auxiliar na resolução de tarefas e na criação de novas ideias. Além disso, os mesmos reconhecem os benefícios dessa tecnologia e estão conscientes das possíveis consequências de seu uso inadequado.
Em relação aos professores, são poucos os que nunca utilizaram a IA em sua vida e concordam que ela pode ser utilizada como ferramenta pedagógica. Já entre os gestores, o percentual dos que relatam nunca terem utilizado a Inteligência Artificial em seu trabalho é o maior entre os três públicos analisados, mas afirmam, em sua maioria, que as IAs também podem ser utilizadas para diferentes fins educacionais.
PERCEPÇÕES ENTRE OS ESTUDANTES
84% dos estudantes relataram já terem utilizado a Inteligência Artificial, e somente 16% deles relataram nunca terem usado esse tipo de ferramenta, como o ChatGPT, Gemini, MidJourney ou DALL-E.
Essa tendência também se observa na resolução de atividades, com 80% afirmando recorrer à IA para esse propósito. Além disso, 90% dos alunos usam a tecnologia para pesquisar, buscar informações ou tirar dúvidas.
54%
dos alunos reconhecem que a IA pode representar um grande perigo caso seja utilizada sem regras ou leis
Sobre como se sentem sobre o assunto, 56% dos estudantes afirmam que a Inteligência Artificial ajuda muito em seus estudos – por exemplo, na resolução de tarefas e pesquisas – contra somente 7% que afirmam não ajudar nada. Já 56% afirmam que a Inteligência Artificial pode inspirar muito a imaginação e a criação de coisas novas.
Por outro lado, os alunos demonstram consciência dos riscos associados ao uso inadequado da IA. Cerca de 54% reconhecem que ela pode representar um grande perigo caso seja utilizada sem regras ou leis. Além disso, 75% afirmam que a tecnologia pode ser empregada na criação de notícias falsas (fake news), evidenciando uma preocupação com possíveis usos mal-intencionados.
A pesquisa também identificou que os alunos do Ensino Médio que utilizam tais plataformas com alta frequência representam uma porcentagem mais que o dobro do que os estudantes do Ensino Fundamental. No primeiro caso, são 29%; no segundo, são 13%.
PERCEPÇÕES ENTRE OS PROFESSORES
83%
concordam que a IA pode ser utilizada como ferramenta pedagógica
Seguindo a mesma tendência dos alunos, são poucos os professores que nunca utilizaram a IA: 21%, uma porcentagem superior em relação aos alunos, que é de 16%. Do mesmo modo, 73% dos professores afirmaram utilizar a Inteligência Artificial para apoio em atividades em sala de aula. Porém, 48% do mesmo grupo relatou que não a usa para desenhar planos de aula. Há, ainda, uma inclinação positiva para a utilização da IA na criação de materiais pedagógicos: 76% dos professores disseram que a utilizam para tal atividade.
A pesquisa apontou também que 47% dos alunos afirmaram que usam a IA para ampliação de repertório sobre literatura, arte, música ou outros aspectos culturais. Por sua vez, 71% dos professores responderam que a utilizam para essa finalidade, uma porcentagem bem maior. Os docentes também utilizam a IA para ampliação do conhecimento sobre as disciplinas que lecionam – 75% deles realizam esse movimento.
Na relação com a Inteligência Artificial, os professores demonstram abertura para usá-la:
- 83% concordam que pode ser utilizada como ferramenta pedagógica; 83% consentem que possa ser usada como complemento aos materiais pedagógicos tradicionais;
- 84% consideram que pode ser utilizada como ferramenta de apoio ao planejamento de aulas;
- 85% acreditam que aumenta ou pode aumentar a produtividade e otimização do tempo dos professores.
(imagem: Leticia Vieira )Nesse sentido, 84% dos professores concordam totalmente ou parcialmente que o currículo escolar deve ser atualizado para que os estudantes adquiram habilidades necessárias para interagir com tecnologias de IA de forma crítica. Além disso, 62% sentem que os cursos de formação inicial de professores devem incluir módulos sobre a IA na educação.
PERCEPÇÕES ENTRE OS GESTORES
Entre os três grupos analisados, os gestores são os que mais relatam nunca terem utilizado a Inteligência Artificial em seu trabalho: 28% afirmaram não fazer uso da tecnologia. Entre os professores, esse índice é menor, com 21% nunca tendo utilizado IA em sua vida, enquanto entre os alunos a porcentagem é ainda mais baixa, com apenas 16%.
90%
dos gestores também concordam que o currículo escolar deve ser atualizado para que os estudantes adquiram habilidades necessárias para interagir com tecnologias de IA de forma crítica.
Ademais, os gestores concordam com a maior parte dos pontos do mesmo modo que os professores, afirmando em sua maioria que as IAs podem ser utilizadas como ferramenta pedagógica (86%), como um complemento aos materiais pedagógicos tradicionais (80%), como uma ferramenta de apoio ao planejamento de aulas (91%) e que seu uso aumenta ou pode aumentar a produtividade e otimização do tempo dos professores (85%).
Os gestores também concordam que o currículo escolar deve ser atualizado para que os estudantes adquiram habilidades necessárias para interagir com tecnologias de IA de forma crítica (90%) e que os cursos de formação inicial de professores devem incluir módulos sobre a IA na educação (89%).
SOBRE A PESQUISA
Percepções sobre a Inteligência Artificial na Educação é resultado de uma escuta específica de professores, gestores e estudantes do Ensino Médio e Fundamental entre os meses de novembro a dezembro de 2024. Ao todo, participaram dessa onda 142 escolas, 1947 estudantes, 240 docentes e 156 gestores. A margem de erro desta pesquisa é de 2% para o grupo de estudantes, 6% para os docentes e 7,8% para os gestores.
