
Inteligência artificial: por dentro dos debates
Conheça as iniciativas da Fundação Itaú sobre Inteligência Artificial
Anualmente, a Fundação Itaú promove o Seminário Internacional de Inteligência Artificial em Educação e Cultura: Estratégias para Combater Desigualdades, que tem como objetivo ampliar o debate sobre a importância de se pensar novos conceitos diante dos diferentes usos da tecnologia, considerando a necessidade do exercício do pensamento crítico e do letramento em futuros para navegar na complexidade e aceleração tecnológica.
Em duas edições, o evento proporcionou debates sobre regulamentação, desenvolvimento ético e responsável da IA, oportunidades e desafios considerando o contexto brasileiro, bem sua aplicação na arte, cultura e educação. Além disso, a Fundação, em colaboração com diversos parceiros, também disponibiliza em seus canais diferentes materiais sobre o tema, como um guia com diferentes modos de utilização das ferramentas, formações e pesquisas sobre Inteligência Artificial. 
Breve guia digital de inteligência artificial:um olhar sobre documentos recentes
O termo “inteligência artificial” é usado para englobar um conjunto diversificado de modelos de tecnologia, em que cada tarefa, em cada domínio de implementação, tem suas especificidades. Pela sua natureza interdisciplinar, não possui uma definição universal, podendo variar bastante entre diferentes instituições.
Considerando isso, o guia é um compilado analítico de 15 documentos, pensado para auxiliar o uso a partir das possibilidades de aplicação da IA, oferecendo parâmetros e diretrizes éticas.
Stanford Social Innovation Review (SSIR) Brasil: Futuros Possíveis
A edição especial da revista Stanford Social Innovation Review (SSIR) Brasil, lançada durante o 2º Seminário Internacional, tem como tema Futuros Possíveis. Abordando o universo da IA e suas intersecções com temas sociais, a publicação traz artigos assinados por nomes como Nina da Hora, Dora Kaufman, João Alegria, Paulo Blikstein, Virgílio Almeida, Ronaldo Lemos e Eduardo Saron.
Mantida pelo Stanford Center on Philanthropy and Civil Society da Universidade Stanford, a SSIR é uma revista publicada desde 2003, e com versão portuguesa desde 2022, que traz ensaios com soluções intersetoriais para problemas globais. A edição especial foi desenvolvida em parceria com a Fundação Itaú.

Consumo e uso de Inteligência Artificial no Brasil
Durante o 2º Seminário Internacional de Inteligência Artificial em Educação e Cultura: Estratégias para combater desigualdades , o Observatório Fundação Itaú e o Datafolha lançaram a pesquisa Consumo e uso de Inteligência Artificial no Brasil, que investigou o consumo, o uso e as percepções da população brasileira sobre inteligência artificial, considerando aspectos como frequência de uso, impacto no trabalho e saúde mental, expectativas sobre o futuro e as diferente compreensões entre grupos sociais.
93%
das pessoas já utilizaram ferramentas de IA82%
já ouviram falar sobre IA18%
nunca ouviram falarPercepções sobre Inteligência Artificial na Educação
A Fundação Itaú, em parceria com o Equidade.Info, realizou um levantamento abrangente sobre as "Percepções sobre a Inteligência Artificial na Educação", envolvendo estudantes, professores e gestores escolares em todo o Brasil. A pesquisa, conduzida entre novembro e dezembro de 2024, coletou dados de 142 escolas, 1.947 estudantes, 240 docentes e 156 gestores, revelando insights importantes sobre o uso e a compreensão da IA no ambiente educacional.
84%
dos alunos utilizam a IA para fins de estudo76%
dos profesores utilizam a IA para criar materiais pedagógicos90%
dos gestores concordam com a necessidade de atualização curricular para interação crítica com IA
FORMAÇÕES EM IA
Com cursos gratuitos, autoformativos e mediados nas áreas de arte, cultura e educação, a Escola Fundação Itaú disponibiliza duas formações específicas que exploram as diferentes aplicações da Inteligência Artificial no ambiente escolar. Confira:

IA E OS FUTUROS POSSÍVEIS
Durante a segunda edição do Seminário Internacional de Inteligência Artificial em Educação e Cultura: Estratégias para Combater Desigualdades, realizada nos dias 19 e 20 de agosto, novos questionamentos foram levantados sobre as interações sociais com a tecnologia. Entre eles, destacaram-se indagações como: "Os sentimentos humanos vão desaparecer diante das interações com IA?" e "Como democratizar o uso da tecnologia na educação pública, já que a transformação digital ainda não aconteceu?".
A partir dessas e outras provocações, pesquisadores, professores, artistas, escritores e futuristas debateram os impactos da tecnologia e seu potencial no combate às desigualdades. As conversas consideraram também estratégias que integram arte, cultura e educação com o objetivo de transformar a IA em uma ferramenta de inclusão, e não de exclusão.
Entre as reflexões apontadas durante as mesas, os convidados demonstraram as preocupações para além do uso prático da IA. Um debate mais profundo e filosófico também ganhou destaque. Foram levantadas questões sobre a própria essência da humanidade e o futuro da sociedade na era da tecnologia, buscando entender seu lugar no mundo e o potencial para construir outros futuros.
“Racismo algorítmico não é só sobre dados enviesados, é sobre as práticas no desenvolvimento e implementação da tecnologia.” Tarcízio Silva, pesquisador e fundador da Desvelar.org.
A discussão se expandiu para incluir diferentes cosmovisões, como as africanas e indígenas, sugerindo que o futuro da IA deve ser moldado por uma diversidade de saberes, e não apenas por uma perspectiva ocidental e técnica. “Racismo algorítmico não é só dados enviesados, é sobre as práticas no desenvolvimento e implementação da tecnologia”, explicou Tarcízio Silva, pesquisador e fundador da Desvelar.org.
“A incompletude é o que nos permite nos relacionar uns com os outros”, Ana Maria Gonçalves, autora, roterista e dramaturga.
Do cinema à literatura, passando pela filosofia e arte contemporânea, as questões levantadas também abordaram o impacto da IA na cultura. Os participantes citaram Baudrillard, Debord e até Toy Story, com perguntas como: "Uma música composta por IA pode ser considerada original?" ou "Estamos confiando mais nas máquinas do que em nós mesmos?". A cultura foi vista não apenas como um campo de expressão, mas também como uma lente crítica para questionar os limites da tecnologia.
Os palestrantes também destacaram a relevância do papel de educadores, artistas e instituições culturais como estimuladores de diferentes expressões. Eles reforçaram ainda a importância desses agentes para assegurar que a criação continue sendo um espaço de encontro humano. “A incompletude é o que nos permite nos relacionar uns com os outros”, pontuou Ana Maria Gonçalves, autora, roterista e dramaturga.
No campo da educação, as ponderações também destacaram como a inteligência artificial está deixando de ser uma promessa tecnológica para se tornar uma realidade palpável que invade as escolas e os lares. O impacto imediato da IA nas rotinas educacionais e nas familiares emergiu de forma clara durante as discussões.
As preocupações levantadas vão desde qual o papel do professor na interação aluno-tecnologia até como as famílias podem lidar com o uso da IA por parte dos estudantes para realizar as lições de casa. Além disso, foram discutidos os caminhos possíveis para a integração responsável da tecnologia no ambiente escolar, uma vez que a realidade das escolas, especialmente as públicas, ainda enfrenta desafios de acesso a recursos tecnológicos e de capacitação profissional.
Nesse contexto, os especialistas ainda trouxeram exemplos práticos de suas realidades, destacando a importância de um debate conectado ao chão da escola e da comunidade, além de se repensar os processos avaliativos. Bem como reforçaram a necessidade de formar repertório, autonomia e pensamento crítico para que crianças e jovens não temam a tecnologia, mas saibam dizer: “aqui mando eu”, como pontuou Gisele Santos, consultora pedagógica de inovação e gestão de portfólio do Instituto Escolas Criativas.
O evento encerra ampliando o debate sobre como a inteligência artificial não deve ser um destino inevitável, mas uma escolha humana e estratégica que exige responsabilidade.
Os debates destacaram a importância de que o desenvolvimento e o uso da IA considerem as diversas realidades do Brasil, garantindo que a tecnologia atue como um recurso no combate às desigualdades e tenha uma finalidade pública, promovendo o exercício crítico da cidadania em vez de perpetuar injustiças. “Nunca precisamos tanto da nossa capacidade crítica, criativa e analítica como agora” , disse Eduardo Saron, Presidente da Fundação Itaú.
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