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Leticia Vieira/Fundação Itaú
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93% das pessoas utilizam ferramenta de IA, diz pesquisa da Fundação Itaú e Datafolha

Nova pesquisa do Observatório Fundação Itaú mostra que os brasileiros usam a IA, percebem sua presença no dia a dia, mas ainda não sabem bem o que é

O Observatório Fundação Itaú e o Datafolha lançam nesta terça-feira, 19 de agosto, a pesquisa Consumo e uso de Inteligência Artificial no Brasil, que investigou o consumo, o uso e as percepções da população brasileira sobre inteligência artificial, considerando aspectos como frequência de uso, impactos no trabalho e saúde mental, expectativas sobre o futuro e as diferente compreensões entre grupos sociais.

A maioria das pessoas já ouviu falar sobre Inteligência Artificial (82%) e mais da metade (54%) entende o que o termo significa. Entretanto, 18% nunca ouviram falar e 46% não compreendem o seu significado. Ainda assim, 93% das pessoas entrevistadas utilizam alguma ferramenta que aplica a tecnologia. O estudo constatou ainda que a utilização é  mais frequente no dia a dia dos mais jovens, dos de maior escolaridade e dos de classe econômica mais alta.

As pessoas conhecem a IA?

Quando analisado por regiões, os percentuais de conhecimento sobre a tecnologia apresenta certas variações, mas todas apontam para altos índices de familiaridade, sendo que 88% dos entrevistados da região Sudeste afirmam que já ouviram falar, bem com 73% da população do Nordeste, 84% no Centro-Oeste, 83% e 80% das regiões Norte e Sul, respectivamente. Vale destacar também que a maioria dos entrevistados que afirma ter ouvido falar na IA vive em regiões metropolitanas: 87% contra 79% no interior; entre pessoas brancas, são 85%, e 81% entre pessoas negras (pretos e pardos).

A IA também é mais percebida à medida que diminui a idade das pessoas entrevistadas e conforme cresce a escolaridade e a classe econômica. 94% já ouviram falar sobre IA entre aqueles com 16 a 24 anos de idade; 90% entre os de 25 a 34 anos, e 69% entre pessoas com 60 anos ou mais.

Em relação à escolaridade, 97% já ouviram falar sobre o termo IA entre aqueles que têm ensino superior; 91%, entre os que concluíram no máximo o ensino médio e 61% entre os que só concluíram o ensino fundamental. 94% já ouviram falar de IA entre as pessoas que são das classes econômicas A/B; 88% entre os da classe C e 66% entre pessoas das classes D/E.

Para definir o que é inteligência artificial, 36% das pessoas fazem menções relacionadas à sua finalidade, como a capacidade de obter informações, criar conteúdo (vídeos e imagens) e facilitar a vida e o trabalho.


Uso prático de Inteligência Artificial

Para 75% dos entrevistados, que responderam muito e um pouco, a IA faz parte do seu dia a dia, divididos entre muito (32%) e um pouco (43%). Observa-se maior presença da IA no dia a dia, ou seja, dentre os entrevistados que responderam “muito”,  à medida que aumenta a escolaridade e classe econômica.

A faixa etária entre 16 e 44 anos concentra o maior envolvimento com a IA no dia a dia, totalizando 38% entre 16-24 anos, 41% entre 25-34 anos e 38% entre 35-44. Entre pessoas com mais de 60 anos, a IA está presente no dia a dia de apenas 19% delas.

Ainda que 46% dos entrevistados não entendam o significado do termo, 93% declaram utilizar alguma ferramenta que aplica IA, sendo 89% em redes sociais      como Instagram, Facebook e Whatsapp; 78% em sistemas de recomendação de filmes, vídeos e músicas, como Netflix, YouTube e Spotify; 63% com sistemas de navegação como Waze e Google Maps; 54% no uso de assistentes de voz como Alexa e Siri. Ferramentas de geração de texto, como ChatGPT, Gemini e DeepSeek são utilizadas por 43% dos entrevistados, e 31% utilizam ferramentas de geração de imagem ou vídeo por IA, como Midjourney e DALL-E, por exemplo.

Entre os usuários de ferramentas de geração de texto, imagens, vídeos ou assistentes de voz com IA, 69% das pessoas utilizam apenas a versão gratuita das ferramentas, enquanto apenas 11% optam exclusivamente por ferramentas pagas e 20% utilizam ambas (em algumas situações versões pagas e, em outras, versões gratuitas).

Entre os usuários de ferramentas que utilizam IA, 70% relataram uso para apoiar atividades no trabalho, para se divertir no tempo livre e para estudar. O uso para situações de apoio nas atividades do trabalho ou para divertimento no tempo livre foram relatados por 50% dos usuários de ferramentas que utilizam IA; o uso para estudar foi relatado por 47%.       

O uso da inteligência artificial para trabalho e estudos é maior entre pessoas com nível de escolaridade mais alto – respectivamente, 74% para trabalho e 73% para estudos entre aqueles com nível superior completo. Entre as pessoas com no máximo o ensino médio completo, 50% usam para trabalho e 50% para estudos. Entre as pessoas com no máximo o ensino fundamental completo, 33% para trabalho e 25% para estudos.

Entre os usos mais comuns da ferramenta, estão a busca por determinados temas ou assuntos (58%), resumo de documentos, encontrar informações rapidamente ou responder a perguntas complexas (56%), buscar recomendações de filmes, séries, jogos ou músicas (51%), aprender algo, encontrar referências ou sugestões de cursos (50%), criar conteúdos como textos, imagens ou vídeos (45%) e monitorar atividades físicas, encontrar sugestões de dietas ou auxiliar no diagnóstico médico (44%).

A falta de interesse (34%) é o principal motivo entre aqueles que disseram nunca terem utilizado ferramentas de IA, seguido por desconhecimento (24%), dificuldade na utilização (17%) e falta de confiança (15%). A falta de interesse prevalece na faixa etária de 25-34 anos (53%) e entre aqueles com nível superior completo (46%), enquanto a desconfiança aparece mais entre os jovens de 16-24 anos de idade (24%).

Inteligência Artificial e Educação

9 em cada 10 dos entrevistados (90%) concordam que todos os estudantes deveriam aprender a interagir com tecnologias de IA de forma consciente e responsável. A frase “a IA é essencial para preparar os estudantes para carreiras futuras” gerou concordância entre 78% dos entrevistados, 84% concordam que “a IA pode auxiliar diretamente no aprendizado dos estudantes” e 87% concordam que “os professores deveriam ter formação para integrar IA de forma responsável no processo de ensino-aprendizagem”.

Dentre altos percentuais de concordância, observamos que a afirmação de que os estudantes deveriam aprender a interagir com tecnologias de IA de forma consciente e responsável cresce à medida que aumentam a escolaridade (95% entre aqueles com ensino superior) e a classe social (93% nas classes A/B). Em sentido inverso, a percepção de que a IA é essencial para preparar os estudantes para carreiras futuras é mais comum entre pessoas com menor escolaridade (85% com ensino fundamental) e renda (82% nas classes D/E). Cabe ressaltar que todas as afirmações acima possuem percentuais de concordância altos.

Entre os entrevistados que utilizam inteligência artificial, 69% da população acha que a IA ajuda muito nos estudos, e 75% afirmam já ter aprendido algo novo utilizando a IA para os estudos. Quanto à confiança que depositam nos resultados que a IA dá, 42% afirmam confiar muito e 56% confiar um pouco. Essa é a mesma porcentagem daqueles que checam sempre os resultados que a IA dá (56%), enquanto 34% checam às vezes.    

62% dos entrevistados afirmam que gostariam de aprender mais sobre Inteligência Artificial. A afirmação é mais recorrente entre homens (66%) e na medida que cresce a escolaridade e a classe econômica das pessoas entrevistadas, chegando a 72% entre aqueles com ensino superior e 70% nas classes A/B.

Percepções sobre trabalho e futuro

Cerca de 7 em cada 10 pessoas entrevistadas acreditam que a IA pode ser perigosa para a sociedade se for usada sem regras ou leis (77%) e que pode ser usada para criar informações ou notícias falsas – 76%. Além disso, 56% acreditam que pode substituir trabalhadores ou profissões no futuro, e uma menor parcela (28%) acha que a IA consome recursos naturais prejudicando o meio ambiente. Por outro lado, 6 em cada 10 pessoas acreditam que a IA pode inspirar a imaginar e criar coisas novas, e 47% que ela ajuda no dia a dia do trabalho/estudos. 

Acreditar (muito) que a IA pode ser perigosa se for utilizada sem leis é mais frequente entre mulheres (79%) e conforme cresce a escolaridade (87% no nível superior). Já acreditar (muito) que a IA pode ser utilizada para criar fake news tem maior força na região metropolitana (80%). Acreditar (muito) que a IA pode substituir trabalhadores ou profissões no futuro é preponderante entre quem tem escolaridade até o ensino médio (59%). Já acreditar (muito) que a IA consome recursos naturais prejudicando o meio ambiente é mais frequente entre as mulheres (30%) e nas classes D/E (34%).

As percepções sobre os impactos positivos da IA são maiores entre homens (62% acreditam que a IA pode ser uma fonte de inspiração, e 49% acham que ela ajuda no trabalho/estudo), pessoas com maior escolaridade (66% e 56% entre aqueles com ensino superior) e de classe econômica mais alta (mesma porcentagem anterior – 66% e 56%). Além disso, acreditar (muito) que a ferramenta pode inspirar é mais frequente entre quem tem 25 a 34 anos (71%).

Em relação à percepção de que a IA representa uma ameaça ao emprego ou profissão, 49% dos entrevistados identificam enquanto ameaça, enquanto 51% acreditam não ser uma ameaça. No entanto, quando perguntados se já ficaram sabendo de algum caso em que a IA tenha substituído trabalhadores, 41% dos respondentes afirmaram conhecer algum caso.

Em relação à empregabilidade, 33% acreditam que a IA vai reduzir suas chances de conseguir um emprego, contra 26% que acreditam que a IA vai aumentar as chances. Para 41%, a Inteligência Artificial não fará diferença. Dentre os entrevistados que acreditam que não haverá diferença, observamos que 55% possuem mais de 60 anos, 50% possuem escolaridade completa até o ensino fundamental e 46% pertencem à classe D/E.

Percepções sobre riscos e ganhos

Sobre os medos relacionados à IA percebidos pela população, em primeiro lugar vemos a coleta e uso de dados pessoais sem controle (42%), seguido por utilização para fins maliciosos, manipulação ou vigilância (36%), substituição de trabalhadores, causando desemprego em massa (34%), geração de desinformação convincente em larga escala (31%), diminuição da importância do educador no processo de ensino (29%), ausência de leis e normas adequadas para regulamentar a inteligência artificial (25%), uso não autorizado de materiais, sem a devida atribuição ou referência (21%),  reprodução ou ampliação de preconceitos (20%), dificuldade em entender como a IA gera seus resultados (17%) e aceleração da crise climática em decorrência do alto consumo de recursos naturais (12%). 6% afirmam não ter nenhum medo.

Entre os ganhos que a IA pode trazer para a sociedade, foram apontados o apoio para o avanço da ciência e inovação (41%), melhoria da qualidade da educação (41%), avanços em diagnósticos médicos e tratamentos personalizados (39%), inclusão social e acessibilidade para pessoas com deficiência (35%), criação de sistemas inteligentes voltados para o conforto e consumo humano (31%), melhoria da segurança pública e das formas de prevenção à acidentes (30%), criação de novos empregos (27%), aumento da produtividade econômica (22%) e conservação do meio ambiente e melhoria da sustentabilidade (15%). 4% não vê nenhum ganho, mesma parcela daqueles que não sabem.

Quando perguntados sobre o impacto da IA, 8 em cada 10 pessoas entrevistadas concordam que os conteúdos gerados ou alterados por IA deveriam ser, por lei, claramente identificados como tal, sendo a frase com maior concordância entre as estimuladas. 74% acreditam que a existência de vídeos e áudios falsos, mas que parecem reais, reduz a confiança nas mídias digitais. 73% acham que o uso de filtros e imagens com IA nas redes sociais é ruim para a saúde mental das pessoas e 65% acreditam que a IA vai piorar a qualidade das relações humanas. Sob uma perspectiva pessoal, 64% confiam na própria capacidade de diferenciar conteúdo real de conteúdo gerado artificialmente, e 46% acham que as ferramentas de IA podem substituir apoio psicológico profissional.

Em relação ao uso enquanto ferramenta para auxílio em situações emocionais, 45% das pessoas já utilizaram IA para auxiliar na saúde mental de alguma forma; dessas, 42% sentiram que a IA não ajudou e 58% sentiram que a IA ajudou a lidar com questões emocionais ou de saúde mental. Em relação ao uso, 27% utilizaram a IA para aliviar ansiedade ou estresse, 26% para obter conselhos pessoais, 21% para conversar sobre sentimentos, 15% para meditação ou respiração guiada e 10% para simulação de escuta empática. Ter utilizado a IA para auxiliar em alguma situação emocional aparece com maior intensidade entre entrevistados negros (pretos ou pardos) (46%) e entre aqueles na faixa etária entre 25 a 34 anos (56%).

SOBRE A PESQUISA
Os dados foram coletados entre 7 e 15 de julho de 2025, com entrevistas pessoais e individuais realizadas com 2.798 pessoas a partir de 16 anos de idade, de todas as regiões do país. A margem de erro máxima para o total da amostra é 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

ACESSE A PESQUISA COMPLETA :

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