
O Brasil tem 66,6 milhões de pessoas com 15 anos ou mais fora da escola sem concluir a educação básica. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, 11,4 milhões são analfabetas. Embora a demanda seja grande, a oferta da EJA vem encolhendo desde 2007.
Os resultados da pesquisa inédita “Educação de Jovens e Adultos: Acesso, Conclusão e Impactos sobre Empregabilidade e Renda” indicam que, entre jovens de 19 a 29 anos, concluir a EJA aumenta, em um curto período, em 7 pontos percentuais as chances de conseguir um emprego formal e eleva, em média, 4,5% a renda mensal do trabalho. O impacto é ainda maior para quem tem entre 19 e 24 anos: nesse grupo, a probabilidade de formalização cresce quase 10 pontos percentuais, enquanto a renda mensal sobe, em média, 9,6%.
A análise foi feita a partir de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em um painel que cobre o período de 2014 a 2022. Dessa forma, foi possível acompanhar os mesmos indivíduos durante cinco visitas consecutivas, em um intervalo de três meses entre cada uma, reunindo informações sobre escolaridade, ocupação e rendimento.
Os pesquisadores ressaltam que os efeitos foram observados em um período relativamente curto: apenas um ano. Isso reforça o impacto imediato do diploma de ensino médio, obtido pela EJA, na formalização do trabalho e no aumento da renda. Experiências internacionais indicam ainda que, em prazos mais longos, cerca de cinco anos após a certificação, esses ganhos tendem a se consolidar e se expandir, inclusive entre adultos.
Para quem vive em situação de vulnerabilidade, esses avanços podem significar deixar a informalidade, acessar benefícios trabalhistas e construir uma trajetória profissional mais estável. No Brasil, onde quase 60% dos jovens de 19 a 29 anos que não concluíram o ensino médio e não estudam estão na informalidade, conseguir um emprego formal representa proteção social, direitos garantidos e oportunidades concretas de mobilidade.
Uma das estratégias para ampliar as oportunidades é integrar a EJA à Educação Profissional e Tecnológica (EJA-EPT), cuja ampliação está prevista no Plano Nacional de Educação. Em 2024, o índice de matrículas dessa modalidade alcançou apenas 5,9%. Embora o número de municípios que oferecem essa integração tenha mais que dobrado nos últimos cinco anos — de 6,3% em 2019 para 13% em 2024 —, a oferta segue muito baixa no país. Ao compararmos essa trajetória de crescimento com a EPT articulada ao ensino médio regular (17,2%), observamos que os resultados estão bem distantes da estratégia nacional de crescimento.