
O artigo mostra que o racismo é um sistema complexo de poder que se configura como um paradigma da sociedade brasileira, perpetuando desigualdades e injustiças. Ele não se restringe a relações interpessoais, mas opera como uma estrutura que molda a sociedade, inclusive por meio do racismo institucional, que se manifesta em práticas discriminatórias dentro de instituições, como escolas.
O racismo institucional é caracterizado por normas, práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano, resultantes de preconceito racial, falta de atenção e ignorância e coloca grupos raciais e étnicos discriminados em desvantagem no acesso a benefícios. No Brasil, o racismo institucional é legitimado historicamente pelo Estado, por meio de ações e políticas que não combatem as desigualdades raciais. Políticas públicas de reparação e enfrentamento das desigualdades raciais são fundamentais para combater o racismo institucional.
O racismo institucional no ensino fundamental manifesta-se como desigualdade racial na educação, perpetuando a exclusão de crianças e adolescentes negros. A pesquisa de campo revela que o racismo é naturalizado e silenciado no ambiente escolar, dificultando sua percepção e enfrentamento. Alunos negros vivenciam isolamento, rejeição e violência, e suas famílias têm dificuldade em reagir a essas situações.
Para combater o racismo institucional na escola, segundo este artigo, é essencial promover uma educação antirracista, por meio de parcerias entre escolas e universidades, formação de professores, elaboração de currículos que incluam a história e cultura afro-brasileira e africana, e desenvolvimento de práticas que gerem responsabilidade institucional, coletiva e individual no enfrentamento ao racismo.