
O artigo de Cristina Couri debruça-se sobre a produção cultural e criativa do Carnaval de rua, com foco em sua dimensão econômica e geração de renda. O Carnaval, além de ser uma importante manifestação cultural brasileira, gera um impacto econômico significativo, beneficiando setores como turismo, alimentação, hospedagem e transporte.
O texto destaca a crescente profissionalização do Carnaval e a complexidade de sua organização, que envolve diversos atores e atividades econômicas. A autora propõe uma sistematização da produção cultural criativa do Carnaval com base no ciclo de produção cultural da Unesco, dividindo-a em criação, produção, disseminação e exibição/consumo.
O estudo de caso com blocos do Coreto, no Rio de Janeiro, revela a informalidade predominante nas relações de trabalho e a dificuldade de captação de recursos por meio de leis de incentivo ou patrocínios. A venda de camisas, patrocínios e venda de brindes são fontes de receita frequentes, mas as contribuições da bateria e mensalidades de oficinas representam a maior parte da arrecadação.
Os gastos com pessoal e serviços para a realização dos desfiles são expressivos, com predomínio de contratações informais.
A autora conclui que a informalidade e a sazonalidade do Carnaval dificultam a mensuração de seu impacto econômico e o mapeamento da cadeia produtiva. A necessidade de sistematização e estudos mais aprofundados sobre a economia criativa do Carnaval de rua é enfatizada, visando reconhecer seu valor e subsidiar políticas públicas para o setor.