
O documento, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e traduzido pela Fundação Itaú, tem como objetivo sugerir caminhos para a reforma da educação digital no Brasil. Foi elaborado a partir de seminários com formuladores de políticas e pesquisadores brasileiros que trabalham com a reforma da educação digital na educação básica e está baseado em estudos de caso de seis países: Austrália (estado de Nova Gales do Sul), Chile, Colômbia, Irlanda, Coreia do Sul e México.
A publicação aponta que o Brasil precisa fortalecer as habilidades digitais dos alunos, pois o país está aquém da média da OCDE. Além disso, o acesso e o uso de tecnologias digitais entre as famílias brasileiras são desiguais, o que pode exacerbar as desigualdades econômicas e sociais. O documento destaca que a tecnologia digital tem o potencial de apoiar o Brasil a aumentar a qualidade e a equidade da educação, a reduzir as taxas de evasão e a melhorar a gestão escolar.
Nos últimos anos, o Brasil implementou diversas políticas para a educação digital, mas os resultados ainda não são os esperados. De acordo com o documento, três desafios dificultam a reforma da educação digital no país: a falta de um objetivo educacional claro, a falta de alinhamento entre diferentes atores e níveis e a dificuldade de transformar a prática em escala.
O documento da OCDE propõe três considerações estratégicas para os formuladores de políticas no Brasil: 1) aprimorar o projeto de reformas da educação digital, adotando um propósito compartilhado e expandindo a governança colaborativa; 2) alinhar e apoiar diferentes atores para garantir que os esforços de reforma atinjam seus objetivos, por meio do planejamento da implementação em nível subnacional e escolar e da promoção de redes de aprendizagem; e 3) desenvolver uma estrutura para monitorar e avaliar os processos de reforma.
O documento também aborda quatro áreas de políticas de educação digital: governança, infraestrutura, capacitação e recursos digitais e oportunidades de aprendizagem. Na governança, é importante garantir a coerência e o alinhamento das políticas em todos os níveis, com foco nas pessoas. Na infraestrutura, o acesso universal a equipamentos e a conectividade de qualidade é fundamental. A capacitação de educadores em tecnologias e pedagogias digitais é outro ponto relevante. Por fim, o documento destaca a importância de fornecer recursos de educação digital de qualidade e oportunidades de aprendizagem.