Realizada pelo Itaú Social e Undime, com apoio técnico da Plano CDE, a pesquisa "Percepções e desafios da Educação Infantil Pública" buscou mapear e coimpreender os principais desafios enfrentados pelas redes municipais entorno da oferta, gestão e qualificação da Educação Infantil.
Entre os principais achados, destaca-se:
1. Necessidade de fortalecer a equidade entre oferta direta e conveniada
Embora a maior parte das redes adote currículos alinhados à BNCC e tenha adequação do PPP consolidada, persistem
assimetrias entre unidades diretas e conveniadas. Na pré-escola conveniada, o não alinhamento do PPP ao currículo ocorre
em maior número em comparação à rede direta. Isso aponta para a necessidade de mecanismos de acompanhamento, apoio
técnico e padronização mínima para evitar desigualdades educacionais dentro da mesma rede.
2. Formação continuada ainda é heterogênea para as conveniadas
As formações ocorrem majoritariamente de forma bimestral ou mensal, mas 20% das redes não ofertam formação às suas
unidades conveniadas, limitando a equidade da oferta. Temáticas sobre inclusão e diversidade aparecem semestralmente,
enquanto temas pedagógicos têm maior frequência. O dado reforça a necessidade de políticas que garantam formação
continuada incluindo as unidades conveniadas.
3. Estratégias pedagógicas avançam, mas desafios estruturais travam a implementação
Práticas como estratégias pedagógicas e busca ativa são implementadas com relativa facilidade; porém, infraestrutura,
engajamento das famílias e uso de tecnologias pelos professores figuram entre os maiores entraves. Esses desafios
podem impactar a qualidade da aprendizagem e da permanência das crianças, indicando que políticas de financiamento,
manutenção predial e apoio às famílias precisam ser priorizadas.
4. Transição para os Anos Iniciais é um gargalo
As maiores dificuldades estão associadas a ações de acolhimento e que orientem o processo de transição, e
cerca de 14% das redes simplesmente não implementam as estratégias analisadas. A ausência de continuidade
entre Educação Infantil e Ensino Fundamental fragiliza o percurso educacional, demandando que as redes tenham
protocolos mais robustos de transição.
5. Regime de colaboração ainda é desigual
Embora 67% das redes recebam algum tipo de apoio da Secretaria Estadual, um terço dos municípios não recebe
suporte algum. As demandas prioritárias das redes — apoio financeiro, formações e materiais — mostram que
coordenação intergovernamental ainda precisa avançar para reduzir desigualdades regionais e apoiar redes
menores e mais vulneráveis.
6. Infraestrutura e inclusão emergem como desafios
Infraestrutura inadequada e desafios relacionados à inclusão aparecem como os principais problemas na
enumeração dos “top 3 desafios”. Isso sinaliza que políticas de expansão do acesso precisam agora ser
acompanhadas por políticas de qualificação dos ambientes, acessibilidade, materiais e práticas inclusivas,
garantindo condições efetivas de aprendizagem.