
O avatar e o corpo real
Resumo crítico de Geisieli Rita de Oliveira, na Coletânea de Artigos Observatório de Inteligência Artificial, debate as desigualdades de acesso à realidade no Brasil.
A partir da ideia de “direito à realidade”, a pesquisadora discute a noção de que os indivíduos devem ter o direito de saber quando estão diante de conteúdos reais ou sintéticos e de não serem confinados a uma experiência de mundo construída ou manipulada artificialmente por algoritmos.
De acordo com ela, a IA traz um risco de reforçarmos a lógica colonial, que é a de deixar para trás e de impor uma única lógica de mundo (monocultura do pensamento). Assim, sob uma perspectiva decolonial, ela questiona pontos como: De que adianta falar em IA se não garantimos o domínio das tecnologias educacionais básicas pelos professores e estudantes?
Diante disso, ela frisa que a desigualdade de acesso à tecnologia é, hoje, na verdade, uma desigualdade de acesso à própria realidade. Não se pode esquecer, em sua visão, de garantir primeiro a existência digna às pessoas porque oferecer IA sem compromisso ético é como oferecer um avatar sofisticado a quem não tem corpo real, fazendo-nos crer que todos partimos do mesmo lugar.
Por fim, a autora evoca a divisão de saberes do filósofo e ativista Nego Bispo (orgânico e sintético), salienta os perigos de a IA sepultar o saber orgânico com um dilúvio de dados homogeneizados e defende que é preciso fazer da IA uma aliada na insurgência do orgânico.
O resumo integra a Coletânea de Artigos Observatório de Inteligência Artificial, uma iniciativa da Fundação Itaú, Observatório Brasileiro de Inteligência Artificial na Educação, TLTL e Teachers College da Universidade de Columbia, a partir do 2º Seminário Internacional de Inteligência Artificial em Educação e Cultura: estratégias para combater desigualdades, realizado em agosto de 2025.