
O manual tem como objetivo propor uma metodologia simplificada para medir a contribuição da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas (ECIC) para o PIB das economias nacionais. O PIB é o principal indicador da atividade econômica de um determinado local durante um período específico e permite a comparação entre diferentes momentos, economias e setores.
O manual destaca a importância da ECIC, especialmente a partir dos anos 1990, quando o Reino Unido adotou políticas para fomentar os setores criativos, reconhecendo seu potencial diante da desindustrialização e da ascensão da economia do conhecimento. Desde então, países do mundo todo têm buscado formas de compreender e mensurar a participação da ECIC em suas economias.
Para calcular o PIB da ECIC, é preciso definir o que, onde e quando medir. O "o que" refere-se à medida comum, que é o conceito de preços de mercado. O "onde" é o espaço geográfico analisado, sendo proposto o cálculo do PIB nacional. O "quando" é o período de tempo analisado, sugerido como sendo o volume de produção anual.
Existem três óticas de análise do PIB: (1) a ótica do produto, que soma todos os bens e serviços produzidos; (2) a ótica da renda, que soma as remunerações recebidas no processo produtivo; e (3) a ótica da despesa, que soma os diferentes usos da produção nacional. O manual propõe o cálculo do PIB da ECIC a partir da ótica da renda, por considerá-la mais realista e precisa, especialmente para o setor criativo, que possui nuances como informalidade e remunerações secundárias.
O manual está dividido em três partes: (1) O que medir, que define as ocupações e os setores criativos do país; (2) Como medir, que apresenta os cálculos necessários e exemplos do caso brasileiro; e (3) Como definir as fontes de dados, que orienta sobre as fontes e bases de dados disponíveis.
O manual também apresenta um passo a passo para a mensuração, incluindo a definição de ocupações criativas com base em critérios como novos processos, resistência à mecanização e contribuição criativa à cadeia de valor. A partir disso, são definidos os setores criativos com base na intensidade criativa, ou seja, o percentual de trabalhadores criativos em cada setor.
Por fim, o manual fornece orientações sobre como definir as bases de dados para a mensuração, destacando a importância de usar fontes confiáveis e adaptadas à realidade local.