
O artigo investigou como fatores socioeconômicos, familiares e individuais estão associados ao desenvolvimento infantil durante o primeiro ano de vida em crianças brasileiras de contextos vulneráveis. O estudo transversal utilizou dados da linha de base de um ensaio randomizado e incluiu 3.242 crianças menores de 12 meses de idade em 30 municípios de cinco regiões do Brasil. A amostra foi selecionada intencionalmente, com base na implementação do Programa Criança Feliz, e foi composta por crianças elegíveis para o programa, com o objetivo de promover o desenvolvimento infantil.
O desenvolvimento infantil foi avaliado por meio do Ages and Stages Questionnaire (ASQ-3), que mede a cognição, comunicação, desenvolvimento psicomotor e social-pessoal de crianças entre 0 e 6 anos.
Os fatores de risco investigados incluíram características da família (número de crianças menores de sete anos, idade paterna), características maternas (idade, raça, escolaridade, se vive com o marido, trabalho fora de casa e sintomas depressivos), características do pré-natal e da gestação (número de consultas, trimestre de início, planejamento da gravidez, percepção de apoio do pai e da família e crescimento intrauterino).
As análises estatísticas foram realizadas utilizando um modelo multinível, considerando os níveis de estados, municípios e características da criança e da família.
Os resultados mostraram que crianças nascidas pré-termo e com restrição de crescimento intrauterino (PIG) tiveram escores de desenvolvimento cerca de 12% menores. Além disso, observou-se que filhos de mães com baixa escolaridade, com sintomas de depressão, com duas ou mais crianças menores de sete anos e que não relataram apoio durante a gravidez também tiveram escores menores.
A conclusão do estudo foi que características maternas e do pré-natal potencialmente modificáveis (escolaridade, depressão e prematuridade/restrição de crescimento intrauterino) apresentaram maior impacto na redução do escore de desenvolvimento infantil em todos os domínios avaliados.