
O projeto de pesquisa buscou identificar, avaliar e sistematizar experiências de pesquisa realizadas por professores indígenas em Roraima, a fim de desenvolver propostas curriculares interculturais que fortalecessem o Projeto Político-Pedagógico (PPP) das escolas indígenas.
O projeto identificou a necessidade de analisar os processos educativos e culturais próprios de cada povo e comunidade indígena, verificar como esses conhecimentos integram os processos escolares e desenvolver estratégias de acordo com a realidade de cada escola e comunidade. Para tanto, o estudo aprofundou a Teoria da Atividade e o Método Indutivo Intercultural e realizou um diagnóstico da situação dos estudantes indígenas do 6º ao 9º ano.
A partir da implementação de Laboratórios Socionaturais Vivos, como espaços de trabalho comunitário que integram sociedade e natureza, foram construídas propostas educativas e curriculares que visam responder às problemáticas contemporâneas dos estudantes e das comunidades indígenas. O estudo dos calendários e do uso do território pelas comunidades ganhou especial significado, pois tempo e espaço são mediados pelas atividades sociais e os indicadores da natureza.
Entre os principais resultados, o projeto destacou que os estudantes indígenas gostam de ir à escola e que há participação da comunidade no processo de formação escolar. Ressaltou também a importância da formação continuada dos professores e a necessidade de discussão das transformações nos processos educacionais de forma integrada e não fragmentada.
Com base nos resultados, o projeto recomendou que a escola seja encarada como um instrumento da sociedade e que haja vinculação entre conhecimentos culturais indígenas e o conhecimento acumulado pela humanidade. Apontou ainda a urgência da formação docente, a necessidade de pesquisa educativa que fomente o debate pedagógico e a importância do diálogo e da participação nos processos junto às autoridades e comunidades.
O projeto concluiu que é necessário que a escola assuma o processo de formação docente como uma tarefa importante, urgente e contínua e que o processo formativo não se reduza à aplicação e reprodução da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).