
Este estudo realizado em setembro de 2020 pelo Itaú Cultural e Datafolha investigou os hábitos culturais da população brasileira após a pandemia de Covid-19 e durante o período de isolamento social. A pesquisa foi quantitativa, com abordagem telefônica e amostra de 1521 entrevistas. A metodologia incluiu controle de qualidade e análises estatísticas.
O perfil da amostra era diverso, abrangendo todas as classes econômicas, idades entre 16 e 65 anos, escolaridades e estado civil variados. Durante a pandemia, 11% viviam normalmente e 8% estavam totalmente isolados. O desemprego também foi impactado, com 35% dos desempregados tendo perdido o emprego devido à pandemia.
O estudo avaliou 10 atividades culturais presenciais, como cinema, shows, circo, biblioteca, atividades infantis, centros culturais, dança, teatro, museus e saraus. 92% dos entrevistados realizaram pelo menos uma, sendo cinema, shows, circo e bibliotecas as mais citadas. A frequência foi impactada pela idade, classe econômica, escolaridade e presença de filhos. Cinema e shows foram as atividades que mais fizeram falta durante a pandemia.
A intenção de realizar atividades culturais após a reabertura era alta (66%), especialmente entre quem já as praticava. Cinema e shows continuaram sendo as mais procuradas. A maioria (84%) preferia locais abertos e 47% pretendiam frequentar atividades no próprio bairro. Transporte público e carro seriam os principais meios de transporte. A segurança era uma preocupação, com 46% se sentindo inseguros.
O acesso à internet aumentou durante a pandemia (57%) e o celular era o principal meio de acesso. Atividades on-line como ouvir música, assistir a filmes e séries, shows on-line e ler livros digitais foram amplamente realizadas.
A maioria dos entrevistados que acessaram atividades culturais on-line avaliou positivamente o impacto na saúde mental e na democratização da cultura. O interesse em atividades on-line persistiu, com destaque para programas ao vivo com artistas e pensadores, vídeos sobre arte, visitas on-line a museus e oficinas de criação para crianças.
Em síntese, o estudo revelou mudanças nos hábitos culturais devido à pandemia, com aumento do consumo on-line e intenção de retorno às atividades presenciais após a reabertura, priorizando a segurança e o acesso facilitado.