Economia Digital: conceitualização, mensuração e políticas para o Brasil
Realizada pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com a Catavento Pesquisas.
Objetivo
Traçar um panorama da economia digital no Brasil com base em tipologias setoriais (baixa – alta digitalização), ocupacionais (especialista, intensivos em TIC e outras) e marcadores sociais (gênero, raça, escolaridade, faixa etária e região).
Como resultado, aponta para um comportamento desigual, histórico e lento de diversificação
dos trabalhadores digitais do Brasil.
Técnica: O método utilizado na classificação
e quantificação dos setores digitais foi a medição de atividades e trabalhadores a partir das bases de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e
da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae), datadas de 2015 a 2025, como ilustra o quadro a seguir:
Categorias de trabalhadores brasileiros por intensidade digital setorial e ocupacional
Em seguida, realizou-se o cruzamento da base de conhecimentos e habilidades no Quadro Brasileiro de Qualificações (QBQ) e da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) com as ocupações da Pnad, visando levantar os conhecimentos e habilidades mais requeridos na economia digital. A seguir, são apresentadas as principais análises a partir do método aplicado e as recomendações de políticas públicas para sanar desigualdades encontradas.
Destaques
A pesquisa mostra que apenas uma parcela restrita da força de trabalho atua diretamente em ocupações digitais, mas concentra rendimentos significativamente mais elevados. Ao mesmo tempo, persistem desigualdades de gênero, raça, escolaridade, faixa etária e região. O estudo aponta também para o potencial econômico do setor, o que pode ser intensificado se for acompanhado de políticas de desenvolvimento do setor e de qualificação.
dos trabalhadores brasileiros estavam em ocupações intensivas (4,9%) ou especialistas (2,1%) em tecnologias da infomração e comunicação (TIC).
dos trabalhadores brasileiros estão empregados em setores de alta e média-alta intensidade digital.
Ao se realizar uma análise desagregada dos indicadores, percebe-se uma manutenção de desigualdades também encontradas em outros setores da economia.
das trabalhadoras Intensivas em TIC são mulheres
das trabalhadoras Especialistas em TIC são mulheres
Homens Intensivos em TIC ganham 41% mais do que as mulheres Intensivas em TIC
Homens Especialistas em TIC ganham 3,4% mais do que mulheres Especialistas em TIC
Percentual de trabalhadores desagregados por Raça/Cor para Especialistas em TIC (imagem: Pesquisa - Fundação Itaú)
Em 2025 a composição racial da economia digital para Especialistas em TIC era de 59,6% pessoas brancas, 30,7% pardas, 8% pretas, 1,4% pessoas amarelas e 0,2% indígenas.
Queda de 5,3% na participação de brancos nos últimos 10 anos.
Percentual de trabalhadores desagregados por Raça/Cor para Intensivos em TIC (imagem: Pesquisa - Fundação Itaú)
Já para Intensivos em TIC era de 67% pessoas brancas, 24,5% pardas, 6,2% pretas, 2,0% pessoas amarelas e 0,3% indígenas.
Queda de 4,7% na participação de brancos nos últimos 10 anos
Renda média (em R$) das ocupações por Raça/Cor em 2025 (imagem: Pesquisa - Fundação Itaú)
Um trabalhador branco de uma ocupação Intensiva em TIC, ganha em média R$ 10.500,00, valor quase igual ao de um trabalhador amarelo com o mesmo perfil, mas superior em cerca de 30% ao de um trabalhador preto (R$ 7.600,00) ou pardo (R$ 7.800,00).
Uma pessoa Especialista em TIC amarela chega a receber R$10.700,00, uma pessoa preta ou parda com o mesmo perfil técnico recebe 52% menos
Renda média (em R$) das ocupações por Escolaridade em 2025 (imagem: Pesquisa - Fundação Itaú)
Em geral, os trabalhadores de áreas Intensivas em TIC recebem os maiores salários em quase todos os níveis de escolaridade, exceto o superior completo.
Os trabalhadores intensivos que possuem o ensino médio incompleto alcançam a maior média salarial (R$13.400,00) e uma diferença de 60% dos especialistas do mesmo nível. Esta categoria supera em 22%, inclusive, os rendimentos de especialistas com ensino superior completo.
Além disso, trabalhadores sem instrução ou com menos de um ano de estudo recebem, em média, mais que o dobro em cargos Intensivos em TIC (R$5.050,00) do que aqueles com ensino médio completo na categoria "Outras" (R$2.400,00), evidenciando uma valorização prática e imediata das habilidades técnicas em TIC.
Os trabalhadores Intensivos em TIC lideram com o maior percentual de profissionais com ensino superior completo: 83% em 2025, tendo uma trajetória de crescimento expressiva de 2015 a 2021, com posterior estabilidade até 2025.
Já os Especialistas em TIC possuem patamares próximos a 60% nos últimos anos da série histórica.
Percentual de trabalhadores com ensino superior completo, segundo grupo de ocupação (2015-2025) (imagem: Pesquisa - Fundação Itaú)
Ao mapear a economia digital a partir do trabalho, o estudo busca oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas voltadas à qualificação profissional, à inclusão produtiva e à redução das desigualdades no mercado de trabalho brasileiro, em um contexto de transformação digital acelerada.
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