O termo “inteligência artificial” é usado para englobar um conjunto diversificado de modelos de tecnologia, em que cada tarefa, em cada domínio de implementação, tem suas especificidades. Pela sua natureza interdisciplinar, não possui uma definição universal, podendo variar bastante entre diferentes instituições.
A IA é um campo de conhecimento multidisciplinar que conversa com diversos campos, como neurociência, psicologia, computação, ciência de dados, biologia e direito. O subcampo da IA aprendizado de máquina (ML) possui várias técnicas, e uma delas, chamada de redes neurais profundas (em inglês, deep learning), permeia a maior parte da implementação atual de IA. Essa técnica possui duas categorias: a IA preditiva e a IA generativa. O que distingue ambas é a arquitetura, ou seja, a maneira como são organizados os elementos que compõem a técnica.
A aceleração da disseminação da IA, principalmente a IA generativa, tem suscitado a atenção mundial pelo potencial de uso indevido, que pode gerar deepfakes, fake news, desrespeito a direitos autorais e exposição de informações privadas e sensíveis de pessoas e empresas.
Um aspecto importante do debate atual sobre a IA passa pela IA generativa (ou IAGen), que é a tecnologia que gera conteúdos (textos, imagens, vídeos, códigos) ao responder a comandos por interação por meio de linguagem natural. Esse tipo de IA vem ganhando notoriedade desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, que é utilizado em diferentes países hoje, muito por causa do acesso gratuito e da interface fácil de usar.
A IA generativa cria conteúdo original a partir de grandes bases de dados, ou seja, usa dados para gerar mais dados, ao sintetizar texto, imagem, voz, vídeo, códigos. Ela é diferente da IA preditiva porque essa última usa modelos preditivos de aprendizado de máquina que extraem padres de dados e fazem previsões em tarefas específicas.
Entre as controvérsias da IA generativa, segundo o guia da Unesco, encontra-se a possibilidade de agravamento da desigualdade digital. Isso porque ela depende de enormes quantidades de dados e de um grande poder computacional, na maioria das vezes concentrados nas grandes empresas de tecnologia e em algumas economias, como Estados Unidos e China.
Essa característica faz com que criar e controlar a IA seja bem difícil para a maioria das companhias e países. Desse modo, nações e pessoas sem acesso a dados suficientes e sem possibilidade de arcar com os custos ficam em uma situação chamada pelos analistas de “pobreza de dados”.
A IA responsável é a que garante qualidade, segurança e uso ético dos dados, é compreensível para os usuários, utiliza algoritmos equitativos para evitar vieses ou discriminação, respeita o direito à privacidade, protege o sistema contra ameaças e informa sobre as escolhas de desenvolvimento e sobre implantação, gerenciamento e monitoramento. Essas características são ainda mais importantes quando o documento constata que o progresso no campo da IA sofreu uma aceleração drástica em 2023 e que a indústria continua a dominar a investigação de ponta da IA.
O documento também fornece dicas para fazer melhores prompts, ou seja, elaborar melhores perguntas para ajudar a obter resultados da IA mais afinados com o que de fato se deseja. Na prática, pode ser preciso realizar várias interações de um prompt até que se alcance o resultado esperado. As orientações são:
Por fim, como última contribuição deste guia, trazemos o documento Decision tree for the responsible application of AI [Árvore de decisão para a aplicação responsável da IA], elaborado pelo Centro para Responsabilidade Científica e Justiça (CSRJ), da Associação Norte- -Americana para o Avanço da Ciência (AAAS)32. O material sucinto e prático sugere uma árvore de decisão esquemática com passo a passo para ajudar pessoas e organizações a estruturarem todo o seu processo de tomada de decisão sobre desenvolver ou implantar suas soluções de IA. Engloba planejamento, criação, testes, aplicação e monitoramento.




organização e curadoria - Eduardo Saron
coordenação-geral - Alan Albuquerque Ribeiro Correia; Alan Pessoa Valadares; Ana de Fátima Sousa; Carla Christine Chiamareli
supervisão técnica - Dora Kaufman
suporte técnico - Priscila Reis
redação e edição - Fabiana Pereira Priscila Reis
produção editorial - Ailson Taveira Helga Vaz
revisão - Rachel Reis
projeto gráfico e diagramação - Caronte Design