
O Programa Criança Feliz (PCF) foi avaliado por meio de um estudo randomizado em 30 municípios brasileiros, com o objetivo de analisar a implementação e o impacto do programa no desenvolvimento neuropsicomotor de crianças menores de 3 anos. O estudo incluiu um grupo de intervenção (GI), que recebeu visitas domiciliares, e um grupo de controle (GC), que não as recebeu.
Durante o período de três anos do estudo, as visitas foram substituídas por contatos virtuais por uma média de 12 meses, devido à pandemia de Covid-19.
Os resultados do estudo não demonstraram impacto significativo do PCF no desenvolvimento infantil, avaliado pelo Ages and Stages Questionnaire (ASQ3), nem em outros desfechos, como estimulação, interações responsivas e atributos psicológicos das crianças.
O estudo de implementação revelou falhas na execução do programa, como baixa cobertura no GI, contaminação do GC (recebimento de visitas domiciliares mesmo no grupo controle), deficiências na gestão e baixa qualidade das visitas em muitos municípios.
O estudo não demonstrou impacto do PCF implementado em condições rotineiras, mas forneceu elementos para seu aprimoramento, como a necessidade de melhorar a gestão, a qualidade das visitas, a adesão ao esquema de randomização e o treinamento dos visitadores.