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Rafael Arbex
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Pesquisa mostra a visão de alunos, docentes e gestores sobre o uso da tecnologia

Estudo investigou de que forma os três grupos utilizam as tecnologias, qual a relação com o processo de aprendizagem e como os novos meios impactam o emocional dos alunos


56% dos alunos afirmam ter dificuldade em reduzir o tempo que passam no celular ou no computador. Esses e outros dados compõem a nova pesquisa do Observatório Fundação Itaú, realizada em parceria com o Equidade.Info, que mapeou a forma com que estudantes, professores e gestores utilizam as tecnologias, qual a relação com o processo de aprendizagem, entre outros aspectos de seu uso dentro e fora do ambiente escolar.

Percepções sobre Tecnologias Digitais realizou uma escuta com alunos, professores e gestores dos anos iniciais e finais do ensino fundamental e médio sobre o uso do computador, celular e tablet na vida pessoal e no aprendizado. A pesquisa revela que os três grupos reconhecem o papel das tecnologias digitais tanto no cotidiano quanto na aprendizagem, com a possibilidade de aprofundamento de conteúdos e a ampliação do repertório cultural. Os dados também revelam preocupações, entre professores e gestores, de que o uso excessivo das ferramentas prejudique a concentração dos estudantes durante as aulas.

O estudo aponta, ainda, que tanto professores quanto gestores percebem efeitos emocionais importantes relacionados ao uso das tecnologias pelos alunos, como ansiedade, dificuldade para desconectar e comparações sociais que impactam o bem-estar. Sobre a checagem de informações que consomem, os professores demonstraram adotar métodos mais seguros que os alunos.

ENTRE OS ESTUDANTES

Cerca de 90% dos alunos relataram utilizar o computador, celular ou tablet para distração, diversão ou entretenimento; 69% afirmaram usar esses dispositivos para se manterem informados sobre as notícias; apenas 39% afirmam que utilizam esses meios para compartilhamento de opiniões e somente 24% declararam que os utilizam para criar conteúdo.

O grupo também utiliza as tecnologias digitais para manter relações interpessoais. Cerca de 94% relataram usá-las para se manterem conectados com amigos e familiares, um percentual superior ao daqueles que as utilizam para diversão ou entretenimento. No entanto, esse uso é menos frequente quando se trata de estabelecer novas conexões: o índice cai para 63% quando os alunos são questionados sobre o uso das tecnologias para conhecer novas pessoas.

Nota-se também uma diferença significativa entre as etapas de ensino: 76% dos alunos do Ensino Médio utilizam as tecnologias digitais para se manterem informados, enquanto entre os alunos do Ensino Fundamental II, esse percentual é de 64%. O Ensino Médio também se destaca no uso dessas tecnologias para conhecer novas pessoas: 78% dos alunos afirmam utilizá-las com esse objetivo, em comparação a 53% dos alunos do Ensino Fundamental II. Além disso, há uma diferença expressiva no uso das tecnologias para realização de compras: 67% dos estudantes do Ensino Médio relatam esse tipo de uso, frente a 34% dos alunos do Fundamental II.

• Tecnologias para Aprendizagem
No que se refere à aprendizagem, os alunos demonstram um uso expressivo das tecnologias digitais. A maioria relata utilizá-las para pesquisar informações para a realização de trabalhos escolares (90%), esclarecer dúvidas sobre conteúdos específicos (86%), buscar soluções e explicações para exercícios (85%) e assistir a videoaulas (74%). O único recurso com menor adesão é o uso de podcasts relacionados aos temas estudados, mencionado por apenas 31% dos estudantes.

• Verificação de Dados Online
No que diz respeito à verificação de informações online, os dados indicam que os alunos adotam tanto estratégias confiáveis quanto métodos menos seguros para avaliar a veracidade do que consomem na internet.

Entre as práticas mais confiáveis, 70% dos estudantes afirmam considerar a confiabilidade da fonte, verificando se a conta que publicou a informação é oficial – como perfis de órgãos governamentais, instituições de ensino ou veículos de imprensa. Além disso, 67% relatam checar se a informação apresenta referências e dados verificáveis.

Por outro lado, muitos alunos também recorrem a critérios menos robustos para validar as informações. Por exemplo, 71% verificam os comentários deixados por outros usuários como forma de avaliar a credibilidade, 55% dizem levar em conta se o perfil possui muitos seguidores; e 43% consideram a quantidade de compartilhamentos como um indicativo de confiabilidade.

• Tecnologia e Emoções
Em relação à forma como os alunos se relacionam com a tecnologia, 56% afirmam ter dificuldade em reduzir o tempo que passam no celular ou no computador. Além disso, 47% dizem que o acesso às redes sociais os ajuda a se sentirem menos solitários, e 44% relatam sentir ansiedade quando suas mensagens são visualizadas, mas não respondidas. 

De forma comparativa, as estudantes do sexo feminino demonstram maior dependência da tecnologia em relação aos estudantes do sexo masculino. Enquanto 52% dos meninos relatam dificuldade em reduzir o tempo que passam no celular ou no computador, esse índice sobe para 63% entre as meninas. Da mesma forma, 37% dos meninos dizem sentir ansiedade quando suas mensagens são visualizadas, mas não respondidas, percentual que aumenta significativamente entre o sexo feminino, chegando a 57%.

A foto retrata dois adolescentes, provavelmente estudantes em uniforme (camisetas brancas com detalhes em vermelho e azul), caminhando juntos em um gramado em frente a um prédio escolar de concreto com pilares azuis. O rapaz está segurando um celular na mão, e ambos estão olhando para a tela enquanto caminham, sugerindo que estão compartilhando conteúdo ou se comunicando.
A foto mostra dois estudantes em um laboratório de informática colaborando em uma tarefa. A estudante em pé, de uniforme azul, aponta para o monitor de um computador, enquanto o colega sentado observa a tela. O monitor exibe um software educacional com gráficos coloridos. O ambiente é caracterizado por azulejos brancos e uma faixa azul.

PERCEPÇÕES ENTRE OS PROFESSORES 

No que se refere ao uso de tecnologias digitais, os professores demonstram um engajamento mais intenso em comparação aos alunos em diversos aspectos. Enquanto 98% dos docentes afirmam utilizar essas tecnologias para se manterem informados, entre os alunos esse número é significativamente menor, chegando a 69%. Além disso, 72% dos professores relatam usar essas ferramentas para ampliar suas redes sociais e conhecer novas pessoas.

No uso voltado ao lazer, ambos os grupos se igualam: 90% dos professores e alunos dizem utilizar celular, computador ou tablet para distração, diversão ou entretenimento. Já no compartilhamento de opiniões, os docentes também se destacam, com 65% utilizando as tecnologias para esse fim, percentual bem superior ao dos alunos, que é de apenas 39%. A diferença é ainda mais expressiva quando se trata da criação de conteúdo. 55     % dos professores relatam produzir conteúdos digitais, enquanto apenas 24% dos alunos fazem o mesmo.

No contexto do trabalho docente, o uso das tecnologias digitais está amplamente consolidado. 97% utilizam esses recursos para preparar suas aulas. Além disso, 85% recorrem às tecnologias como apoio visual, por meio de slides, apresentações e vídeos.

A comunicação com a gestão escolar também é fortemente mediada por ferramentas digitais. 94% dos docentes as utilizam para alinhamentos, troca de e-mails, envio de atividades e demais formas de contato. A busca por inovação na prática pedagógica também se destaca, sendo mencionada por 97% dos professores. Por fim, 90% afirmam utilizar as tecnologias para busca de planos de aula e atividades didáticas.

Os professores também relatam os principais benefícios para uso de tecnologias digitais em seu trabalho docente: maior eficiência e produtividade (30%), acesso a informações (24%), facilitação do trabalho colaborativo (24%) e aumento nas oportunidades de capacitação e desenvolvimento (20%).

• Tecnologias para Aprendizagem

No que diz respeito à aprendizagem, a maioria dos docentes reconhece o potencial positivo das tecnologias digitais. Para 70% dos professores, o uso desses recursos contribui para a melhoria do desempenho escolar dos alunos, refletindo-se em suas notas, participação, habilidades de pesquisa e produção escrita. Além disso, 73% concordam que as tecnologias auxiliam no aprofundamento dos conteúdos curriculares, e 67% destacam que também ampliam o repertório cultural e social dos estudantes.

Por outro lado, os professores também apontam efeitos negativos: 68% concordam que o uso excessivo das tecnologias pode comprometer a concentração dos alunos durante as aulas.

• Verificação de Dados Online
Comparativamente aos alunos, os docentes demonstram maior atenção e rigor na verificação das informações que consomem. Enquanto 91% dos professores afirmam considerar a confiabilidade da fonte, verificando se a conta que publicou a informação é oficial, entre os alunos esse percentual é de apenas 70%. A diferença também é significativa quando se trata da checagem de referências e dados verificáveis, 96% dos docentes adotam esse cuidado, em contraste com 67% dos estudantes.

Já em relação a critérios mais questionáveis de verificação, 41% dos professores afirmam considerar a quantidade de seguidores de um perfil como indicativo de confiabilidade, enquanto esse percentual é um pouco maior entre os alunos, alcançando 55%. Quando se trata do número de compartilhamentos como sinal de credibilidade, 31% dos docentes mencionam utilizá-lo, em comparação a 43% dos estudantes. Por fim, a análise dos comentários feitos por outros usuários é adotada por 69% dos professores e por 71% dos alunos como forma de avaliar a confiabilidade das informações.

• Tecnologias e Emoções
Na percepção dos docentes, os alunos enfrentam desafios significativos em sua relação com a tecnologia. Para 76% dos professores, os estudantes demonstram dificuldade em reduzir o tempo que passam conectados, um dado superior ao autorrelato dos próprios alunos, entre os quais apenas 56% reconhecem essa dificuldade.

Além disso, 39% dos professores observam que os alunos aparentam se sentir menos solitários ao acessarem redes sociais. Já 51% dos docentes relatam que os estudantes se sentem rejeitados quando suas mensagens são visualizadas, mas não respondidas. Outro ponto relevante é que 69% dos professores acreditam que os alunos tendem a se comparar com os outros nas redes sociais, o que pode levá-los a sentimentos de tristeza ou desânimo ao perceberem que amigos aparentam ter uma vida mais interessante ou bem-sucedida na internet.

A foto é um close-up nas mãos de uma pessoa segurando um smartphone com a tela ligada, exibindo uma interface de monitoramento. Ao fundo, fora de foco, estão três jovens em pé, todos vestindo uniformes escolares verdes com detalhes amarelos. A composição sugere que a pessoa em primeiro plano está usando o aplicativo do celular para uma atividade ou avaliação relacionada aos estudantes.
A imagem é de um laboratório de informática e mostra um homem (possivelmente um professor ou instrutor) vestindo uma camiseta laranja e calça jeans auxiliando uma aluna sentada em uma estação de trabalho. O homem está curvado ao lado da aluna, com a mão no mouse, indicando orientação ou demonstração no computador. A aluna veste um uniforme azul. O fundo do laboratório é marcado por azulejos brancos com uma faixa horizontal de azulejos azuis.

PERCEPÇÕES ENTRE OS GESTORES 

• Uso de Tecnologias Digitais
No que tange os gestores, suas percepções sobre o uso das tecnologias digitais são, em grande parte, semelhantes às dos professores. A ampla maioria (97%) afirma utilizar essas ferramentas para se manterem informados, enquanto 67% relatam usá-las para ampliar suas redes sociais e conhecer novas pessoas.

No que se refere ao lazer, gestores e alunos se equiparam: 90% de ambos os grupos utilizam celular, computador ou tablet para distração, diversão ou entretenimento. Quando o foco é o compartilhamento de opiniões, 69% dos gestores dizem usar as tecnologias com esse propósito, um percentual superior ao dos professores, que é de 61%.

Em relação aos benefícios percebidos no uso profissional das tecnologias digitais, os gestores destacam, principalmente: a facilitação do trabalho colaborativo (44%), o aumento da eficiência e da produtividade (25%) e o acesso ampliado a informações e recursos globais (16%)

• Tecnologias para Aprendizagem
No que se refere à aprendizagem, os gestores seguem a mesma tendência observada entre os professores. Para 68% deles, o uso das tecnologias digitais contribui para a melhora do desempenho escolar dos alunos, refletindo-se nas notas, participação, pesquisas e produção escrita. Além disso, 74% acreditam que esses recursos auxiliam no aprofundamento dos conteúdos curriculares, e 60% destacam o papel das tecnologias na ampliação do repertório cultural e social dos estudantes. Por outro lado, assim como os docentes, 65% dos gestores reconhecem que o uso constante dessas ferramentas pode prejudicar a concentração dos alunos durante as aulas.

• Tecnologias e Emoções
Na percepção dos gestores, as tecnologias digitais têm forte impacto emocional sobre os alunos. Um número ainda maior de gestores, em comparação aos professores, acredita que os estudantes enfrentam dificuldades para limitar seu tempo online: 81% concordam com essa afirmação, enquanto cai para 76% dos docentes.

36% dos gestores percebem que os alunos se sentem menos solitários ao acessarem redes sociais. Além disso, 49% dos gestores relatam que os estudantes se sentem rejeitados quando suas mensagens são visualizadas, mas não respondidas. Por fim, em linha com a percepção dos professores, 69% concordam que os alunos se comparam nas redes sociais e ficam tristes ou desanimados quando sentem que outros amigos demonstram ter uma vida “mais interessante” na internet. 

SOBRE A PESQUISA
Percepções sobre Tecnologias Digitais realizou uma escuta específica com professores, gestores e estudantes entre os meses de abril e maio de 2025. Ao todo, participaram dessa onda 170 escolas, 2510 estudantes, 303 docentes e 188 gestores. A faixa etária compreendia o Ensino Fundamental e Médio. As margens de erro da pesquisa são de 3% para os estudantes, 6% para os docentes e 7% para os gestores.

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