Bruno Kelly/Fundação Itaú
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Escolas ganham referencial para orientar uso de Inteligência Artificial

Documento lançado pelo Ministério da Educação traz recomendações sobre como professores podem utilizar a tecnologia para favorecer a aprendizagem


Está disponível para gestores e profissionais de educação o “Referencial sobre IA [Inteligência Artificial] na Educação”, do Ministério da Educação (MEC). O documento analisa a adoção da tecnologia nas redes de ensino do país, apresentando as oportunidades e os riscos pedagógicos do uso da ferramenta digital.

Uma das recomendações apresentadas no referencial é a não utilização de telas na Educação Infantil, favorecendo “atividades desplugadas” que promovam o desenvolvimento de noções relacionadas ao pensamento lógico. Já nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), mantém-se a restrição ao uso de aparelhos eletrônicos por crianças, com professores adotando sistemas de IA de forma pontual e criteriosa, caso seja necessário.

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Nos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e no Ensino Médio, a inteligência artificial pode ser utilizada como apoio aos processos de ensino e aprendizagem, sem substituir a autoria, o esforço intelectual e a responsabilidade acadêmica do estudante. A recomendação é para que adolescentes e jovens desenvolvam análise crítica do conteúdo produzido pela ferramenta digital, por meio da comparação entre diferentes fontes de informação.

Como política para as redes de ensino, a adoção da tecnologia pode contribuir com a elaboração de materiais didáticos, desde que existam protocolos institucionais claros, capazes de assegurar a qualidade pedagógica.

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No mesmo tema, o referencial estabelece limites para o uso da IA como forma de proteger os estudantes, como a não utilização do reconhecimento facial para controle de frequência e o não compartilhamento de dados sensíveis.

Desafios
O documento identifica desafios que as redes de ensino podem enfrentar ao adotar a inteligência artificial. Além das questões relacionadas à proteção de dados e à privacidade, há preocupação com a qualidade e a composição das bases de dados utilizadas na geração de respostas. De acordo com o documento, conjuntos de informações pouco representativos, desiguais ou descontextualizados tendem a limitar a capacidade desses sistemas, resultando em respostas que não contemplam a diversidade de realidades educacionais e dos perfis de estudantes.

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Protagonismo docente
A IA não deve ser compreendida como uma ferramenta capaz de substituir o professor. Seu papel é atuar como apoio, especialmente em atividades administrativas e pedagógicas de caráter recorrente, como a organização de agendas e rotinas escolares. Essa reorganização das tarefas operacionais cria oportunidades para que os docentes dediquem mais tempo a atividades de maior valor pedagógico, como o planejamento didático, o acompanhamento da aprendizagem e a qualificação das interações em sala de aula, entre outras ações.

Personalização
Outro recurso apontado pelo referencial como oportunidade é a possibilidade de personalizar as atividades escolares. Essa funcionalidade permite ao docente atender às necessidades educacionais dos estudantes, respeitando os diferentes ritmos de aprendizagem. Contudo, a tecnologia deve ser integrada a um ecossistema pedagógico mais amplo, em que a condução e a responsabilidade permaneçam sob a atuação do professor.

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